Cansada de tudo que começa. Hoje eu queria alguma coisa que continuasse.

Cansada de tudo que começa. Hoje eu queria alguma coisa que continuasse.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fica em mim...


Fica em mim, sempre, a sensação física de adoecer num rompante quando te vais, mesmo eu sabendo inevitável esse momento. Fica em mim, no corpo que nem tua fome e a minha consomem, o peso insuportável da tua presença ao avesso, porque estás aqui, não só dentro de mim, mas no único abrigo que julguei seguro para me esconder, para tentar me refazer das feridas que até mesmo você me causou. Fica em mim a fúria que já não contenho, tudo o que me ultrapassa, nada mais me delimita a não ser tua própria pele quando estás aqui... e estás sempre aqui... ainda que seja só tua sombra, teus pequenos rastros sutis...
Fica na garganta sempre o que é mais amargo, o que anestesia o paladar, porque neste caminho o gosto que conheço é o da tua saliva misturada à minha, o sal do teu suor, tua carne entre meus dentes. Desaprendi tudo o que não é você e que não me alimenta. Preciso do teu ar pra respirar, do contrário, morro em asfixia lenta e dolorosamente. E meu olhar se torna vago, esgazeado de dor à espera da tua imagem novamente nas minhas retinas. Minhas mãos vivem estendidas aguardando teu corpo morno, fonte e abismo, e cada vez que me perco em ti é quando mais me encontro inteira. Nada mais sei ser sem ti, fora de ti, nem mesmo metade.
Fica sempre aqui quando te vais a sombra pálida do que sou quando estou contigo. Nada existe que possa me resgatar do abismo que me lanças quando te vais, enquanto te espero, enquanto me calo e de olhos baixos evito que vejas que nada mais trago nas mãos, nem sonhos nem esperança...

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